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Manifold conectado, agulhas estabilizadas e a dúvida de sempre: essa pressão está certa para esse gás e para essa temperatura? A resposta está na tabela de pressão e temperatura, a PT chart, e cada gás tem a sua.
Aqui estão os valores de saturação do R410A, do R32 e do R22, em °F com psig e em °C com bar, todos da mesma tabela oficial da Chemours, a fabricante dos gases Freon. Depois das tabelas, você vê como ler cada lado do manifold, como calcular superheat e subcooling e quais erros de carga mais aparecem nos estudos de campo.
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Um aviso antes de começar: carga e recolhimento de gás são serviço de técnico habilitado. A regra de cada país está mais abaixo, com a fonte oficial.
📊 Tabela de pressão em psig: R410A, R32 e R22
A tabela mostra a pressão de saturação em psig, que é a pressão manométrica, a mesma que aparece no manifold. Procure a temperatura na primeira coluna e siga a linha até o gás que está na placa do equipamento.
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Por que vapor numa parte e líquido na outra? O R410A é uma mistura, metade R32 e metade R125, segundo a Goodman, e numa mistura as pressões de líquido e de vapor saturados não são iguais. A Chemours usa o vapor para o superheat e o líquido para o subcooling. No R410A a diferença é pequena: pela tabela da Arkema, outra fabricante de gás, vai de 0.3 psi a 20 °F a 1.1 psi a 130 °F. O R32 e o R22 são gases puros, com um valor só.
Compare as colunas e fica claro por que não dá para trocar de tabela. A 40 °F, o R32 marca 2.6 psi a mais que o R410A; a 100 °F, 7.2 psi; a 130 °F, 11.6 psi. O R22 fica muito abaixo: 195.9 psig a 100 °F, contra 318.5 psig do R410A. A própria Chemours informa que a pressão de descarga do R410A é de 50% a 70% maior que a do R22.
🌡️ A mesma tabela em °C e bar
Para quem lê o manifold em bar e a temperatura em Celsius, a Chemours publica os mesmos gases no sistema métrico, em bar manométrico. A fonte vai de 2 em 2 °C; aqui, a tabela aparece de 4 em 4, de -8 a 60 °C.

As duas tabelas não se alinham linha a linha, porque 40 °F equivalem a 4.4 °C. Para uma temperatura entre duas linhas, a média das vizinhas chega bem perto do valor; para o número exato, use a tabela completa da fonte ou um dos aplicativos do fim do texto.
E atenção à unidade: no bar manométrico, como no manifold, o zero é a pressão do ambiente. Uma tabela em bar absoluto fica cerca de 1 bar acima.
🔧 Como ler os dois lados do manifold
O manifold tem dois manômetros. O de baixa vai na porta de sucção, na linha mais grossa, por onde o vapor volta do evaporador para o compressor. O de alta vai na porta da linha de líquido, a mais fina, que o manual da Goodman chama de porta pequena.
Pela tabela, cada leitura vira uma temperatura: a de baixa, a do gás fervendo no evaporador; a de alta, a do gás condensando na unidade externa. A relação só vale onde líquido e vapor convivem, por isso a pressão não diz a temperatura do tubo. Essa se mede com termômetro de contato.
🧮 Superheat e subcooling em dois cálculos
Os dois cálculos usam a tabela. O superheat é a temperatura da linha de sucção menos a temperatura de saturação da sucção. O subcooling é a temperatura de saturação da linha de líquido menos a temperatura da linha de líquido. As fórmulas são as do manual da Goodman.
No mesmo manual, o termômetro da linha de líquido vai perto da válvula de serviço, e o da sucção, de 4 a 6 polegadas do compressor, uns 10 a 15 cm.
O alvo vem da placa e do manual de cada equipamento. Como exemplo, estes são os da Goodman para condensadoras e bombas de calor com R32 e válvula de expansão termostática, a TXV:
Em Celsius, 8 °F de diferença equivalem a 4.4 K. Com os dois números na mão, o manual da Goodman lê a combinação assim:
Nos sistemas com TXV, o subcooling manda por um motivo. Segundo uma revisão de estudos do Departamento de Energia dos EUA, com TXV a capacidade e a eficiência quase não caem até a carga chegar a cerca de 70% da correta. Abaixo disso, a válvula fica toda aberta e o sistema se comporta como um de orifício fixo, em que a queda é rápida desde o início. A revisão recomenda conferir a carga pelo método do fabricante.
⚠️ Os erros mais comuns na carga de gás
Carga errada é comum. A revisão de estudos de campo do Departamento de Energia, de 2018, encontrou falta de gás em 29% a 78% dos sistemas e excesso em 4% a 50%, conforme o estudo e a região. E isso pesa na conta: numa bomba de calor simulada pelo NIST, 30% de gás a menos aumentou o consumo anual de energia em 17% a 23%, e 30% a mais, em 10% a 16%.
- Carregar só pela pressão de sucção. O manual da Goodman manda não ajustar a carga apenas pela pressão de sucção, a não ser numa falta de gás grosseira. A pressão sozinha não mostra superheat nem subcooling.
- Ler cedo demais ou em dia frio. O manual da Goodman pede 20 minutos de funcionamento e 60 °F, cerca de 16 °C, ou mais do lado de fora para conferir a carga em refrigeração.
- Esquecer o fluxo de ar. Na revisão do Departamento de Energia, fluxo de ar baixo aparece em mais da metade dos sistemas, em todas as regiões estudadas. Entre as recomendações do texto está garantir o fluxo de ar certo, com medição.
- Usar a tabela do gás errado ou misturar gases. O guia da Chemours diz em destaque para não misturar refrigerantes. O R410A não serve para converter aparelho de R22, e gás A2L, como o R32, só entra em equipamento novo, nunca em conversão.
- Tirar mistura do cilindro como vapor. Segundo a Chemours, o R410A e as outras misturas devem sair do cilindro sempre como líquido.
- Usar ferramenta de pressão menor. A Chemours avisa que o R410A exige manifold, recolhedora e cilindro de recolhimento feitos para pressões mais altas que as do R22. Com R32, a Goodman pede detector de vazamento e recolhedora próprios para gás A2L.
- Fazer vácuo mal feito. Ar e umidade que ficam na linha distorcem a leitura. A Goodman pede vácuo abaixo de 500 microns. Se, com a bomba isolada, o vácuo sobe e para entre 1000 e 2000 microns, pode haver ar, umidade ou um vazamento pequeno; acima de 2000, há vazamento.
🔄 O R22 saindo de linha e o R32 chegando
Nos Estados Unidos, a produção e a importação do R22 acabaram em 2020, segundo a EPA, a agência ambiental do país. Quem tem aparelho de R22 pode continuar usando: a EPA não obriga a trocar nem a converter, e a manutenção sai de gás regenerado ou produzido antes da proibição.
No Reino Unido, a regra é mais dura. Desde 1º de janeiro de 2015 é ilegal usar qualquer HCFC, como o R22, na manutenção de refrigeração e ar-condicionado, mesmo reciclado ou regenerado, segundo o Defra, o ministério do meio ambiente britânico. O aparelho pode seguir funcionando, mas sem serviço que abra o circuito de gás.
Agora a troca é outra: nos aparelhos novos, o R410A dá lugar a gases de menor potencial de aquecimento global, o GWP, como o R32. Nos EUA, a EPA fixou em 700 o GWP máximo para os sistemas residenciais e comerciais leves novos, com regra a partir de 1º de janeiro de 2025 e prazos de transição para equipamento fabricado antes. Na Grã-Bretanha, desde 2025 é proibido pôr no mercado split de uma evaporadora com menos de 3 kg de gás de GWP acima de 750. Pela Daikin, o GWP do R32 é 675, e o do R410A, 2090.
Para o técnico, o R32 muda três coisas: a tabela, porque trabalha acima do R410A; a segurança, porque é da classe A2L, de baixa inflamabilidade, e o manual da Goodman pede área ventilada e nenhuma fonte de ignição por perto; e as ferramentas, que precisam ser próprias para esse gás.
📜 Quem pode trabalhar com gás refrigerante em cada país
Cada um desses países tem a sua regra para quem faz serviço em equipamento com gás refrigerante. O quadro resume a de cada um.
📱 Aplicativos para levar a tabela no bolso
No campo, o celular cobre o que a tabela resumida não traz: outras temperaturas, outros gases e o cálculo de BTU. Antes de escolher a curva no app, confira o gás da placa.
Para ter a tabela e as contas no celular, separamos três aplicativos: o Ref Tools, da Danfoss, que converte pressão em temperatura de saturação e ajuda no diagnóstico e no ajuste do superaquecimento; o Copeland Mobile, com diagnóstico de compressor, diagramas elétricos e a ferramenta Check & Charge; e o AC Calculator, que estima a capacidade em BTU/h de um ambiente. Eles ajudam a conferir leituras e contas, mas não substituem os dados do fabricante do equipamento.
- Régua de refrigerantes: da pressão para a temperatura de saturação e de volta, com ponto de orvalho e ponto de bolha nos gases com glide
- Ajuda a diagnosticar defeitos no sistema de refrigeração, do sintoma à solução recomendada
- Ajuste do superaquecimento da válvula de expansão termostática, com recomendação própria para cada válvula
- Diagnóstico de compressor e diagramas elétricos, com os dados de cada modelo de compressor Copeland
- Leitura do modelo e do número de série por escaneamento, lista de peças e modelo equivalente para troca
- Traz a ferramenta Check & Charge, que ganhou tabela PT na última atualização
- Calcula a capacidade em BTU/h para o ambiente e indica os tipos de aparelho recomendados
- Converte entre BTU, kW, kcal e toneladas de refrigeração
- Compara o consumo de energia do aparelho inverter com o do convencional
❓ Perguntas frequentes
Qual é a pressão normal do R410A?
Não existe um número único: a pressão acompanha a temperatura de saturação. Com o gás fervendo a 40 °F, a sucção do R410A marca 118.4 psig; condensando a 100 °F, a linha de líquido marca 318.5 psig. Quem diz se a carga está certa é o superheat e o subcooling pedidos pelo fabricante.
Posso usar a tabela do R410A num aparelho que usa R32?
Não. As curvas são próximas, mas diferentes: a 100 °F, o R410A marca 318.5 psig e o R32, 325.7 psig. Use sempre a coluna do gás que está na placa.
Ainda dá para usar R22?
Nos Estados Unidos, sim, para manter aparelhos que já existem, com gás regenerado ou produzido antes de 2020, segundo a EPA. No Reino Unido, não: desde 2015 é ilegal usar R22 na manutenção, mesmo regenerado.
